Meteoro: uma utopia possível contra Hollywood
ENTREVISTA
'Hay que salir de las islas porque las islas son para los alcatraces y hay que ir a los continentes. Hay que volver, pero hay que salir' — esse é o conselho que o cineasta porto-riquenho Diego de la Texera carrega como máxima, herdado de seu tataravô.
Apesar de ter vivido em El Salvador, Venezuela, Cuba e Brasil, de la Texera nunca perdeu o orgulho de sua origem. Recebeu a equipe do El Nuevo Día ao lado de sua esposa, a atriz e produtora Maria Dulce Saldanha, para falar sobre 'Meteoro', filme que inaugura a 18ª edição do Cinema Fest Porto Rico.
O cineasta identifica elementos necessários para que uma produção local — para além de ser realizada com sucesso — consiga chegar ao público: cinema como indústria rentável, exibidores e distribuidores mais sensíveis, e incentivos financeiros. Para ele, a 'mão gigante de Hollywood' sufoca até indústrias prósperas, deslocando filmes locais com blockbusters como 'Superman 5'.
No entanto, Diego acredita que o público quer ver histórias mais humanas e identificáveis. 'O cinema de Hollywood trabalha com fórmulas; o latino-americano, não, porque muitas de nossas histórias ainda não foram contadas e têm uma frescura que toca a alma', afirma. Ele rebate a ideia de que retratar a idiossincrasia hispânica signifique um reflexo negativo: 'Queremos nos ver bem na tela e podemos falar da realidade assim.'
Outro ponto central é a formação cultural e humanista dos estudantes de cinema: 'É preciso conhecer a luz de Rembrandt, a de Van Gogh e as diferentes vertentes. Isso sensibiliza e permite trabalhar os aspectos técnicos de forma mais efetiva.'
O cineasta também destaca a importância de a produção gerar receita e de o trabalho se refletir na bilheteria, sem perder de vista a luta por um cinema autêntico.
CONTEXTO DO FESTIVAL
'Meteoro' foi escolhido para a abertura do evento, que busca expandir sua influência para mais cidades da ilha, oferecendo a alternativa de ver filmes de outras partes do mundo — 'uma iniciativa valiosíssima que abre janelas para o cinema de grandes diretores, em vez de grandes especiarias', como acrescenta o crítico Luis Trelles, homenageado na mesma edição.