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Estado de Minas • 14/08/2007

Meteoro: Uma parábola de cunho político

Meteoro: Uma parábola de cunho político

CRÍTICA / CINEMA
FABULA E REALIDADE

Meteoro não é um filme-catástrofe, mas uma produção com tintas políticas feita em parceria pelo Brasil, Porto Rico e Venezuelacite: 14, 21, 22. Dirigido pelo porto-riquenho Diego de la Texera, o filme parte de um fato real ocorrido no Brasil para construir uma parábola sobre o destino de uma comunidade isoladacite: 22, 24, 33.

A trama remete ao início dos anos 1960, quando o governo tentou ligar Brasília a todos os cantos do paíscite: 29. Na divisa entre Bahia e Piauí, a construção da BR-020 parou devido a terrenos problemáticos e ao golpe militar de 1964cite: 31. Dos trabalhadores que ali permaneceram à espera de uma definição, nasceu o povoado de Nova Holanda — que no filme ganha o nome de Meteorocite: 32, 34.

Na ficção, a comunidade precisa se tornar dona de seu próprio destino, estabelecendo regras de convivência que caminham rumo ao anarquismo, onde não há governo, dinheiro ou propriedade privadacite: 35, 36. É preciso redescobrir a moral e a sexualidade, contando inclusive com a ajuda sobrenatural de um meteorito que revela uma fonte de água vitalcite: 38, 39.

O título é metafórico: a cidade tem existência meteórica, surgindo do nada e brilhando por sua singularidade, mas condenada pelo isolamentocite: 43, 44. A experiência anarquista de Meteoro é apresentada como algo 'demasiado parecido com o comunismo' para sobreviver ao contato com o mundo exterior, hierarquizado e marcado por regras pré-determinadascite: 45, 49.

Embora a conclusão aponte para a inviabilidade desse processo no mundo real, o filme permite um vislumbre bem-humorado de como o mundo poderia — ou deveria — sercite: 48, 49.